Você deseja a aprovação de todos aqueles com quem está em contato. Quer o reconhecimento do seu real valor. Quer sentir-se importante no seu pequeno mundo. Não quer ouvir lisonjas insinceras e baratas, mas deseja uma sincera apreciação.
Quer que os seus amigos e associados sejam, como disse Charles Schwab, "sinceros nas suas apreciações e pródigos nos seus elogios". Todos nós queremos isto. Obedeçamos, portanto, à Regra de Ouro e demos aos outros o que queremos que os outros nos dêem.
Como? Quando? Onde? A resposta é: todas as vezes, cm toda parte.
A vida de muitas pessoas provavelmente mudaria se alguém as fizesse sentir-se importantes. Ronald J. Rowland, um dos instrutores do nosso curso na Califórnia, também é professor de artes manuais. Ele nos escreveu sobre um estudante de nome Chris, no início de suas aulas de artesanato: "Chris era um menino muito quieto, tímido e inseguro, o tipo do aluno que em geral não recebe a atenção que merece. Também dou aulas numa classe avançada que cresceu muito e tornou-se uma espécie de símbolo de prestígio e um privilégio para o aluno que conquistasse o direito de ingressar nela.
"Numa certa quarta-feira, Chris trabalhava com dedicação na sua prancheta. Com efeito, pressenti que dentro dele ardia um fogo oculto. Perguntei-lhe se gostaria de entrar na classe avançada. Como gostaria de poder expressar a fisionomia de Chris! Quantas emoções naquele garoto de 14 anos de idade, que procurava esconder as lágrimas que afluíam aos seus olhos. "Eu, Sr. Rowland? E o senhor acha que sou bom para isso?"
"Sim, Chris, acho que é.""Precisei me retirar nesse momento, porque eu é que estava
prestes a chorar. Quando Chris saiu da classe naquele dia, aparentemente um pouco mais alto do que o habitual, olhou para mim com seus olhinhos azuis e vivos e disse, com uma voz segura: `Obrigado, Sr. Rowland.' "Chris ensinou-me uma lição que jamais esquecerei -
nosso profundo desejo de sentirmo-nos importantes. Paraajudar-me a nunca esquecer desse presente, fiz um pequenocartaz onde escrevi: "VOCÊ É IMPORTANTE". Este cartaz ficou pendurado na entrada da sala de aula para que todos o vissem e para que eu me lembrasse de que cada aluno que tenho diante de mim é igualmente importante."
A verdade crua é que quase todo homem que você encontra se julga superior a você em algum ponto; e um caminho seguro para tocar-lhe o coração é faze-lo compreender, de uma maneira sutil, que você reconhece a importância dele no seu pequeno mundo, e o faz sinceramente. Lembre-se do que disse Emerson: "Cada homem que encontro é superior a mim em alguma coisa; e nisto posso aprender dele"
Vou contar-lhes um caso que têm aplicado, com resultados notáveis, tais princípios.
Tomemos em primeiro lugar o caso de um promotor de Connecticut que prefere seja o seu nome omitido devido aos parentes. Nós o chamaremos de Sr. R. Pouco depois de entrar para o curso, dirigiu-se de automóvel para Long Island com a esposa, em visita a alguns parentes dela. Esta o deixou conversando com uma sua velha tia e foi sozinha visitar alguns parentes mais jovens. Como devia fazer uma exposição profissional de como aplicou os princípios da apreciação, imaginou que devia começar pela velha tia. Assim, olhou em volta da casa para ver o que podia admirar com sinceridade. "Esta casa foi ponstruída em 1890, não?", perguntou. "Sim", respondeu a tia, "foi esse precisamente o ano em que foi construída." "Ela me recorda a casa onde nasci", acrescentou ele. "É bonita. Bem construída. Espaçosa. A senhora sabe que hoje não se constroem mais casas assim?"
"Você tem razão", concordou a velha senhora. "Os jovens dos nossos dias não fazem questão de casas bonitas. Todos eles querem apenas pequenos apartamentos e uma geladeira elétrica, indo depois vagabundear nos seus automóveis." "Esta é uma casa de sonhos", continuou num tom vibrante, evocando suas mais caras recordações. "Esta casa foi construída com amor. Meu marido e eu sonhamos com ela por quatro anos, antes de construí-Ia. Não tivemos arquiteto. Nós mesmos a planejamos."
Mostrou-lhe então toda a casa e ele expressou sua sincera admiração pelos lindos tesouros que ela adquirira durante suas viagens e que sempre amara: pesados xales, um velho serviço de chá inglês, vasos (Wedgwood) da China, camas e cadeiras da França, quadros italianos, e cortinados de seda que pertenceram a um castelo francês. "Depois de mostrar-me inteiramente a casa", disse o Sr. R., "levou-me para ver a garagem. Lá, sobre caixões, estava um automóvel Packard -- quase novo. `Meu marido comprou aquele carro pouco antes de morrer', disse suavemente. `Depois da sua morte, nunca andei nele... Você aprecia coisas belas, e por isso lhe darei esse carro.'
"Como, minha tia! A senhora me confunde. Aprecio a sua generosidade naturalmente, mas não posso aceitá-lo. Nem mesmo sou seu parente direto. Tenho um carr9 novo, e a senhora tem muitos parentes que gostariam de possuir um Packard. "'Parentes!' exclamou. `Sim, tenho parentes que estão esperando a minha morte para poder usar o meu carro. Mas eles não conseguirão tal coisa.'
"Se a senhora não quer dar o carro a eles poderá facilmente vendê-lo a um negociante de carros usados, sugeri. "'Vendê-lo', exclamou. `Pensa .que eu poderia vender este carro? Que eu suportaria ver estranhos indo para cima e para baixo pelas ruas nesse carro -- no carro que meu marido comprou para mim? Nem em sonhos penso em vendê-lo. Vou dar-lhe o automóvel. Você sabe apreciar coisas belas.' " Ele relutou em aceitar o carro, mas não podia faze-lo sem ferir os sentimentos da velha tia. Esta velha senhora, isolada num casarão, com seus pesados xales, suas antigüidades francesas e suas memórias, estava morrendo à míngua de um pequeno reconhecimento. Ela fora bonita e jovem. Construíra uma casa com amor e colecionara objetos de toda a Europa para torná-la mais linda. Agora, no isolamento
de sua velhice, ansiava por conforto humano, uma pequena apreciação verdadeira - e ninguém lhe dava nada disto. Quando encontrou o que desejava, como um oásis em pleno deserto, sua gratidão não podia expressar-se de outra maneira que não fosse oferecendo de presente o automóvel.

Tudo isso apenas interessado-se pelo que era iportante para a outra pessoa...
Faça isso e mudará o dia da pessoa, faça isso e mudará o seu dia...
Seja um bom ouvinte, incentive os outros a falar sobre eles mesmos.

Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas a que outro homem sinta prazer em responder. Faça-o a falar sobre si mesmo e sobre seus assuntos prediletos. Lembre-se de que o homem com o qual estiver falando está uma centena de vezes mais interessado em si mesmo, nos seus problemas e vontades, do que em você e seus problemas. Sua dor de dente significa mais para ele que a fome na China que mata um milhão de pessoas. Um furúnculo no seu pescoço interessa-lhe mais que quarenta tremores de terra na Africa.
Pense em tudo isto na próxima vez que iniciar uma conversação


Conheço, e você também, comerciantes que desejam alugar espaços caros, comprar seus artigos com economia, arrumar suas vitrinas com arte, gastar centenas de dólares em propaganda, e contratam empregados que não possuem o senso necessário para ser bons ouvintes, empregados que interrompem constantemente os fregueses, muita vez contradizendo-os, irritando-os, o que apenas consegue levá-los para longe da loja.

Certa manhã, anos atrás, um freguês mal satisfeito entrou no escritório de Julian P. Detmer, fundador da Detmer Woolen Company, que mais tarde se tornou a maior distribuidora de
lãs, no comércio de alfaiatarias.
"Este homem nos devia uma pequena importância", explicou-me o senhor Detmer. "0 freguês negava isto, mas tínhamos a certeza de que ele estava enganado. Assim, nosso departamento de crédito insistiu pelo pagamento. Depois de receber várias cartas do nosso departamento, arrumou sua bagagem, fez uma viagem a Chicago e apressou-se em vir ao meu escritório, não somente para informar-me de que não viera pagar a conta, como também que nunca mais compraria mercadorias na Detmer Woolen Company.
"Ouvi pacientemente tudo quanto tinha a dizer. Estive tentado a interrompê-lo, mas compreendi que seria ma política. Assim, deixei que falasse tudo. Quando finalmente começou a esfriar e se tornou receptivo, eu disse calmamente: "Quero agradecer-lhe por ter vindo a Chicago falar-nos sobre isto. Fez-me um grande favor, pois se o nosso departamento de crédito o aborreceu pode também aborrecer outros bons fregueses, e isso será muito mau. Acredite-me, estou muito mais desejoso de ouvir isto do que o senhor de mo dizer". "Era esta a última coisa no mundo que ele esperava ouvir de mim. Penso que ficou desapontado pela asneira de ter vindo a Chicago para dizer-me uma ou duas coisas, e aqui, ao invés de atracar-me com ele, estava agradecendo-lhe. Assegurei-lhe que nós riscaríamos o débito dos livros e pedi que se esquecesse do mesmo pois ele era um homem muito cuidadoso, com uma única conta a olhar enquanto nossos empregados tinham que
olhar milhares de contas. Por essa razão havia menos possibilidade de ele estar errado do que nós. "Disse-lhe que compreendia perfeitamente como se sentiu e que, se eu estivesse no seu lugar, teria certamente sentido o mesmo. Desde que se decidira a não comprar mais de nós, recomendei-lhe outras casas de lãs. "Antes, quando ele vinha a Chicago, costumávamos almoçar juntos, por isso convidei-o para almoçar comigo naquele mesmo
dia. Aceitou com certa relutância, mas quando voltamos ao escritório nos fez um pedido de mercadorias como nunca fizera até então. Voltou para casa com disposições brandas e, querendo ser tão justo conosco como acabávamos de ser com ele, foi examinar suas contas e, encontrando uma que não havia sido paga, enviou-nos um cheque com as suas desculpas.
"Mais tarde, quando a esposa o presenteou com um garoto deu ao filho o nome de Detmer e continuou freguês e amigo da nossa casa até a sua morte, vinte e dois anos depois."
Durante as horas negras da Guerra Civil, Lincoln escreveu a um velho amigo em Springfield, Illinois, pedindo-lhe para vir a Washington. Lincoln disse que tinha alguns problemas que queria discutir com ele. 0 velho vizinho veio â Casa Branca e Lincoln falou-lhe durante horas sobre a conveniência de lançar uma proclamação libertando os escravos. Lincoln passou por todos os argumentos "pró" e "contra" tal movimento, leu cartas e artigos de jornais, alguns atacando-o por não ter libertado os escravos e outros porque receavam que ele abolisse a escravatura. Depois de falar durante horas, Lincoln apertou a mão do
seu velho vizinho, disse-lhe boa-noite e mandou-o para Illinois, sem mesmo perguntar-lhe a sua opinião. Lincoln falou todo o tempo. Isto parece que esclareceu seu pensamento. `Ele pareceu sentir-se mais tranqüilo depois de falar", disse o velho amigo. Lincoln não queria conselho. Queria apenas um ouvinte amigo e simpatizante com quem pudesse descarregar-se. Eis o que todos nós queremos quando estamos preocupados. É isto que, freqüentemente,
todos os fregueses irritados querem, bem como o empregado mal satisfeito ou amigo magoado.
Assim, se quiser ser um bom conversador, seja um ouvinte atento. Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas a que outro homem sinta prazer em responder. Concite-o a falar
sobre si mesmo e sobre seus assuntos prediletos.
Seja um bom ouvinte, incentive os outros a falar sobre eles mesmos.

IG