Quando Deus nos criou, viu que isso era “muito bom”.
Você é a coisa mais interessante que Deus já criou. Você tem mais potencial do que qualquer outra criatura que Deus tenha feito. Para alguns, você é um cliente, um freguês, um pagador de impostos, um estudante, um pai ou uma criança. Para Deus, você é um exemplo magnífico de sua melhor criação.
(...) No jargão industrial, você pode ser definido “em estágio de desenvolvimento”. Você pode não ter atingido o seu potencial ou realizado as suas possibilidades, mas isso não diminui o seu valor. Durante toda sua vida, você terá um valor inerente como pessoa.
Na vida fazemos muitos julgamentos. Fazemos julgamentos sobre o que vestir, o que comer, aonde ir, que carreiras seguir e quem escolher para amigos, mas nenhum julgamento é tão importante como o que fazemos sobre nós mesmos.
Este único julgamento influencia tudo o que fazemos, afetando as nossas atitudes quanto à vida. Este julgamento se torna o catalisador que inicia e enriquece nossos relacionamentos.
O relacionamento que temos com nós mesmos é o mais importante que teremos.
Dale Carnegie resumiu tudo dizendo que as melhores coisas da vida vêm para aqueles que apreciam a si mesmos.
Algumas pessoas têm dificuldade em acreditar que sucesso, ou grandeza ou valor, podem acontecer nas suas vidas, ou nas vidas daquelas ao seu redor.

Isso acontece com os outros, em lugares distantes. Conta-se uma história sobre Santos Dumont, que em 1897, realizou a sua primeira ascensão num balão, em Paris. Quando a sua cidade natal, Palmira, em Minas Gerais, ficou sabendo do acontecido, o editor do jornal local não conseguia acreditar na façanha do ilustre conterrâneo. Ele disse que se alguém, um dia, conseguisse voar, não seria ninguém de Palmira.

Grandeza e sucesso emergem de pessoas que começam a aceitar a si mesmas e as habilidades que lhes foram dadas por Deus. Você não pode fazer tudo, mas Edward Everett Hale lembra que você pode fazer algo:

“Eu sou apenas um
Mas ainda sou um. Não posso fazer tudo
mas ainda posso fazer algo;
E porque não posso fazer tudo
não recusarei fazer algo
Que posso fazer”.

Você é alguém especial. Aceite isso. Celebre isso.
Esse é o início de uma vida de sucesso.
“Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio, quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa”.

Muita gente passa metade da vida dizendo o que vai fazer, e a outra metade justificando porque nada fez. Se metade do tempo que se perde com desculpas fosse empregado para descobrir maneiras de fazer as coisas corretamente, o mundo estaria bem diferente.

Ouça (leia) essa pequena história de um sujeito americano que poderia ser considerado um fracasso no total, se não tivesse a seu favor a perspectiva do tempo, para julgar quão valiosas foram suas tentivas. Seu nome era John Perpont. Quando morreu era um fracasso consumado. Ele até que começou bem. Formou-se na universidade da qual seu pai havia sido um dos fundadores, e com entusiasmo e idealismo, optou pela carreira de professor. Logo, se revelou um fracasso como professor: era muito mole com os alunos...
Mudou de ramo : tentou ser advogado.Novo fracasso. Era generoso demais com os clientes e excessivamente escrupuloso, o que o levava a defender sempre causas quem não podia pagar.
Como terceira opção, Pierpont tentou um armazém de secos e molhados. Novo fracasso também como comerciante: não resistia aos pedidos de fiado e praticava preços muito generosos.
Entre uma profissão e outra, Pierpont escrevia poesia. Apesar de publicadas elas não rendiam direitos autorias suficientes para poder viver.
Pierpont acabou se transformando em pastor protestante, foi ordenado com estudos de teologia em Harvard, e foi dirigir uma paróquia em Boston. Pierpont tinha posições a favor da “lei seca” e contra a escravidão. Essas posicões o colocaram em confronto com membros influentes da congregação e foi obrigado a renunciar. Novo fracasso , também como pastor.
A política parecia ser a atividade ideal para um homem como ele. Foi indicado como candidato a governador de Massachusets, pelo Partido Abolicionista.Não deu outra : perdeu a eleição.
Sem desanimar candidatou-se ao senado pelo partido “Terra Livre”...E perdeu a mais uma vez a eleição.Agora Pierpont era um fracasso indiscutível.Com a guerra civil em andamento, Pierpont apresentou-se como capelão ao 22º Regimento de Voluntários do estado.Quinze dias depois pediu baixa, ao descobrir que não tinha estomago para a guerra. Aos 76 anos era um fracasso também como capelão.
Alguém lhe conseguiu um emprego humilde num departamento do Ministério da Fazenda em Washington, e o nosso herói passou os últimos dias de sua vida abrindo e fechando gavetas de arquivos. Função para a qual, aliás, não revelou grandes talentos.Morreu como um perfeito fracassado.Sobre seu túmulo em Massachusetts há uma pequena lápide.John Pierpont.Poeta, pregador, filósofo,filantropo.

Com a perpectiva do tempo, pode-se ver, hoje, que afinal de contas, Pierpont não foi um fracasso assim tão absoluto.- O homem empenhou-se por justiça social;- Lutou, o mais que pode, para transformar-se num homem digno ;
- Engajou-se nas maiores questões do seu tempo e jamais perdeu a fé no poder da vontade; nisso sim teve sucesso.
E na verdade muitas de suas tentativas que ao calor da hora pareciam fracasos retumbantes , acabaram tendo melhor sorte:
- A educação foi reformada
- Os procedimentos legais modificaram-se
- Criaram-se leis de proteção ao consumidor
- E , claro, a escravidão foi abolida e feita a reforma agrária.

A história de Pierpont nada tem de excepcional. Há inúmeros reformadores em todos os tempos que não tem busto praça pública e nem estão nos livros de história.Cada um tem suas histórias de sucesso, e também de fracassos.O importante para cada um é estar em paz com sua consciência, estar envolvido e atuando nas questões do seu tempo.
Nosso herói tem um grande sucesso que pelo menos, milhões de pessoas, ou melhor bilhões de pessoas conhecem...Numa certa tarde de inverno Pierpont rabiscou numa partitura as notas de uma canção, pensando em oferecer um presente original a sua familia.E assim fazendo ele nos deixou um presente eterno, um presente fantástico e invisível de natal que simboliza a alegria;
A música não fala de jesus e nem de Papai Noel.
John Pierpont compôs Jingle Bells.
Bom texto para épocas natalinas ...

Freqüentemente nos vemos em dificuldade para saber que presentes daremos a nossos amigos e queridos, nas ocasiões especiais. Para algumas pessoas (especialmente as que “têm tudo”) os presentes padronizados, comuns, são um tanto desprezíveis.
(...)
Tenho uma sugestão. Pode não parecer caro, nem original, mas, creia-me, funciona sempre. Trata-se de um desses presentes que têm imenso valor, sem ostentar uma etiqueta de preço. Não pode ser perdido, nem esquecido. Não há problemas com tamanhos, tampouco. Adapta-se a todas as formas, idades e personalidades. Este presente ideal é... você mesmo. Na sua busca pela excelência, não se esqueça do valor do altruísmo.
É isso mesmo: dê um pouco de você mesmo para os outros. Dê uma hora de seu tempo a alguém que precisa de você.

Teddy Stallard era excelente concorrente ao título de “esquecido”. Não se interessava pela escola. Usava roupas velhas, amarfanhadas, nunca penteava os cabelos.
(...)Quando a professora, Srta. Thompson, falava ao Teddy, ele sempre respondia com monossílabos. Era um camaradinha distante, destituído de graça, sem qualquer motivação, difícil de a gente gostar. Embora a professora dissesse que gostava a todos da classe por igual, bem lá dentro, ela não estava sendo muito verdadeira.
Sempre que ela corrigia as provas de Teddy, sentia certo prazer perverso, em rabiscar um X ao lado das respostas erradas, e ao lascar um zero no topo da folha, fazia-o com certo gosto. Ela tinha a obrigação de conhecer melhor o Teddy; os dados do menino estavam com ela. A professora sabia mais sobre ele, do que gostaria de admitir. O currículo do garoto era o seguinte:
1ª série - Teddy promete muito, quanto ao rendimento escolar e atitudes.
Situação doméstica má.
2ª série - Teddy poderia melhorar. A mãe está muito doente.
O menino recebe pouca ajuda em casa.
3ª série -Teddy é um bom aluno, mas sério demais. Aprende devagar. É lento.
A mãe morreu neste ano.
4ª série - Teddy é lento mas tem bom comportamento.
O pai é desinteressado de todo.

Chegou o dia dos professores. Meninos e meninas da classe da Srta. Thompson, lhe trouxeram presentes. Empilharam os pacotinhos na mesa da professora e rodearam-na, observando-a enquanto ia abrindo-os. Entre os presentes havia um, entregue por Teddy Stallard. Ela ficou surpresa ao ver que ele havia trazido um presente. Mas, trouxera mesmo. O presente dele estava enrolado em papel pardo e fita colante, no qual ele escrevera umas palavras simples: “Para senhorita Thompson - do Teddy.” Quando ela abriu o pacote de Teddy, caiu sobre a mesa um bracelete vistoso, feito de pedras semelhantes a cristais, metade das quais já havia desaparecido, e um frasco de perfume barato.
Os meninos e meninas começaram a sufocar risadas, exibindo sorrisos afetados, por causa dos presentes de Teddy. Contudo, Srta. Thompson pelo menos teve bom senso suficiente para silenciá-los ao pôr no pulso, imediatamente, o bracelete e um pouco de perfume. Colocando o pulso à altura das narinas das crianças, para que cheirassem, ela perguntou: “Não é delicioso esse perfume?” As crianças, seguindo a pista deixada pela mestra, imediatamente concordaram com “uuu!” e “ôôô!”
Terminada as aulas, após as crianças terem ido embora, Teddy demorou-se, e foi ficando. Muito lentamente, ele aproximou-se da professora para dizer-lhe:
– Senhorita Thompson... Senhorita Thompson!, a senhora tem o mesmo cheiro de minha mãe..., e o bracelete dela ficou bonito na senhora, também. Fiquei contente porque a senhora gostou dos meus presentes.
Depois que Teddy saiu, senhorita Thompson chorou.
No dia seguinte, quando as crianças voltaram à escola, foram recepcionadas por uma nova professora.
Senhorita Thompson se tornara uma pessoa diferente. Já não era a mesma. Passou a ajudar todas as crianças, especialmente Teddy. Pelo fim daquele ano escolar, Teddy mostrava uma melhora dramática. Alcançara a maior parte dos alunos e chegou a ficar à frente de alguns deles.
Senhorita Thompson não recebeu notícias de Teddy, durante longo tempo. Então, um dia, entregaram-lhe uma carta:
“Querida Srta. Thompson:Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber.Estou me formando em segundo lugar, em minha classe.Com muito amor, Teddy Stallard.”
Quatro anos mais tarde, ela recebeu nova carta...
“Querida Srta. Thompson:Disseram-me há pouco, que sou o primeiro aluno da classe. Estou me formando este ano. Quis que a senhora fosse a primeira a saber. A universidade não tem sido fácil, mas eu gosto.Com muito amor, Teddy Stallard.”
Mais quatro anos depois...
“Querida Srta. Thompson:A partir de hoje, sou Theodore Stallard, doutor em Medicina. Que Acha? Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber. Vou casar-me no mês que vem, para ser exato, no dia 27. Quero que a senhora venha e se sente onde minha mãe se sentaria se ela fosse viva. A senhora é a única pessoa da família que tenho, agora. Meu pai morreu no ano passado.Com muito amor, Teddy Stallard.”
A Srta. Thompson foi àquele casamento e sentou-se onde a mãe de Teddy teria sentado. Ela o mereceu. Havia feito pelo Teddy algo, de que ele jamais esqueceria.
Que é que você poderia dar como presente? Em vez de simplesmente dar uma coisa, dê algo que sobreviva a você mesmo.
Seja generoso. Dê-se a si mesmo a algum Teddy Stallard, “um destes pequenos” a quem você pode ajudar a tornar-se um dos grandes!!
Esse texto foi retirado do site http://papodehomem.com.br/
Muito BOM!!!!

Nós brasileiros, mais que qualquer outro povo do planeta, temos o intrigante hábito de depreciarmos o nosso país.
Relativizamos nossas qualidades e exaltamos nossas mazelas. Vivendo sentado no sofá, na frente da televisão, curtindo a programação de domingo, é bem possível que você nunca tenha tido tempo para sair à rua e ver o melhor do Brasil.
Trabalho em uma empresa multinacional com ramificações em todos os continentes e incontáveis países. Viajamos para o exterior para encontrar clientes e receber treinamentos, mas também recebemos aqui colegas de todo o mundo. Em sua grande maioria eles vêm nos treinar ou contribuir com a implantação de algum projeto interno.
É engraçado traçar um comparativo entre as expectativas dos estrangeiros ao chegar, com suas conclusões ao partir. Existem casos mais caricatos como europeus que antes de vir pedem a seus médicos um coquetel de vacinas contra males da selva! Muitos têm medo de comerem nossa comida e beberem nossa água. Com respeito a todas as nacionalidades do mundo, arrisco-me a dizer que somos um dos povos mais bem informados em termos de geopolítica. Existe muito desconhecimento em relação ao que o Brasil realmente é.
Após alguns dias a maior parte dos estrangeiros se apaixona pela nossa variedade gastronômica. Os alemães descobrem que a culinária alemã é tão farta por aqui quanto em sua terra natal. Os irlandeses mais se preocupam com a nossa cerveja. Não gostam, mas bebem de tudo até cair. Os indianos são um caso a parte. Quando chegam não tocam em mulheres, não sorriem, comem em marmitas preparadas no hotel, não bebem e não confraternizam conosco.
Basta uma única festa para aprenderemos que pessoas são pessoas em qualquer lugar do mundo e, bem lá no fundo, almejam as mesmas coisas. Fizemos chineses e japoneses caírem de tanto beber caipirinha, muçulmanos dançarem em cima da mesa, franceses enlouquecerem com um samba frenético e europeus em geral apaixonarem-se por nossas belíssimas mulheres.
Ainda gostaria de destacar o capítulo do indiano.
Aquele foi o que mais deu trabalho. Precisamos de um chefe, gerente alemão, para beber uma champagne a fim de encorajar o indiano a fazer o mesmo. “Apenas para o brinde”, mentíamos para ele. O indiano de 31 anos, casado há 4 meses, virgem até os 30, proprietário de uma Harley-Davidson em Nova Déli, arriscou um gole. Não morreu!
Surpreso em descobrir que aquela não era uma bebida demoníaca, bebeu mais um pouco. E mais um pouco. Uma taça depois, seus olhos estavam pequenos e finalmente vimos aquele enorme sorrisão, ainda que um pouco escondido pelo bigode escuro. “Vou precisar rezar bastante pelos meus erros ao voltar” ele brincou. Trinta minutos depois, havíamos perdido o controle do colega hindú. Ele estava tentando dançar um pagode com nossas colegas brasileiras, maravilhosas e muito bem vestidas. Diante da aproximação (ele nunca havia tocado em uma mulher senão a esposa) começou a tentar abraçá-las e a passar a mão nas, agora assustadas, mulheres. “Two minutes, upstairs.” dizia ele. Dois minutinhos sozinho com elas era tudo o que precisava.
Na despedida muitos de nossos colegas choram.
“Vamos voltar”, prometem.
Todos levam recordações das belas paisagens, da inacreditável beleza feminina, dos porres descompromissados, da inexistência de preocupações com a opinião alheia, moral e bons costumes e, acima de tudo, da grande amizade que fazem com os brasileiros. Nós somos hospitaleiros como nenhum outro povo do mundo (embora os húngaros se assemelhem muito conosco).

Brasil? Tsc tsc, Budapeste. Na Hungria.
Essa experiência toda criou um problema para a empresa. Com 44.000 funcionários espalhados por todos os cantos do planeta podendo ir para onde desejarem, os gerentes estão tendo de lidar com a enxurrada de pedidos para viagens ao Brasil. Todos querem voltar. Os que não vieram querem nos conhecer após tantas referências. Mas nós brasileiros não gostamos daqui. Tenho certeza que muitos prefeririam trocar de lugar com nossos amigos europeus.
Então a empresa passou a de fato nos enviar para o lugar deles. Os destinos que mais receberam o pessoal do meu escritório foram Irlanda e Alemanha. Não posso negar que os primeiros dias não são excitantes. Descobrimos coisas novas, lugares novos, hábitos diferentes e gente que não se parece tanto conosco. É uma experiência rica, mas após alguns dias a novidade acaba.
Depois de termos visto “tudo” e estarmos incorporado ao cotidiano daquela região, passamos a nos focar em trabalho e a tentar viver como um nativo da cidade que nos recebe. Quase todos nós tivemos problemas para se adaptar aos hábitos alimentares estrangeiros. Os que conseguem enjoam da comida, pois poucos lugares do mundo se pode comer de tudo como no Brasil. Passamos a andar de ônibus, de trem, de táxi, a fazer compras no supermercado a ver como o povo desses lugares distantes vive.
No bairro mais nobre e rico da capital canadense sofri uma tentativa de assalto. Um homem sujo, mas bem vestido e com cheiro de álcool tentou pegar o troco que eu colocava no bolso. Uma amiga me explicou que a prefeitura cria condomínios para desabrigados no intuito de os tirarem da rua. Recebem ajuda de custo, roupas, alimentos e uma pequena quantia em dinheiro para sobreviverem. Sustentados pelo povo, gastam o subsidio em drogas, bebidas e por fim vão às ruas atormentar a população. População essa, que se odeia em grande parte.
Em um país diversificado que recebe pessoas de todos os lugares do mundo, se criou um enorme problema racial. Em Toronto, os terminais bancários exibem a tela inicial em cantonês! Se você não fala cantonês precisa tocar em uns ideogramas até exibir a opção de outros idiomas: Mandarim, Híndi, Francês e Inglês!
Existem lugares completamente compartimentados em relação à raça de seus habitantes. Há bairros onde vivem apenas indianos, bairros reservados aos latinos, comunidades italianas, etc. Em Ottawa, uma ponte divide a cidade em duas. De um lado fica a população que fala Inglês, de outro a parte que fala Francês. Esteja avisado antes de cruzar a ponte: no lado francês não há placas de informação em inglês.

Ottawa. Mulheres e homens são proibidos de se misturar…
Muitas vezes, moradores locais que falam inglês fluente recusam-se deliberadamente a lhe dar uma informação caso você não fale francês. A população original do país (isso ainda existe hoje em dia?) criou um enorme xenofobismo em relação a quem vem de fora. Eles acreditam que aos poucos a cultura local está desaparecendo. De fato, não existe mais culinária tipicamente canadense. Você encontra restaurantes tailandeses, indianos, japoneses…
Em um PUB, uma canadense perguntou se eu era gay. Indignado, perguntei por quê. Ela mencionou que só havia homens naquele bar o que tornava a situação meio estranha. Concordei, mas expliquei que não era dali e que lá de onde eu vinha nenhuma mesa com mulheres sozinhas duraria 20 minutos sem ser abordada por um homem.
Ficamos amigos das canadenses e acabamos conhecendo outras mulheres por lá. Elas reclamavam da falta de atitude dos homens e inclusive da dificuldade em encontrá-los na cidade. Comentaram que o programa predileto das canadenses é passar uma tarde no shopping comendo um petisco e depois seguir para o cinema.
Dias depois, colegas de trabalho homens reclamaram que naquela cidade não era fácil para conhecer mulheres. Diziam que além de praticamente não existirem mulheres por lá, os PUBs eram lotados de homens. O engraçado é quando aparece uma mulher no PUB eles não fazem nada e até estranham. Acham tão anormal que preferem nem tentar conhecê-las com medo de que sejam lésbicas malucas e assassinas de homens. No final das contas a realidade é que as mulheres vão para um lado, os homens para o outro e ninguém vai atrás de ninguém.

Na esquina do mundo, a Times Square em Nova Iorque, perdi uma camisa. Ao andar na calçada de um dos locais mais famosos do planeta, recebi uma baforada de vapor saindo de um duto do chão. Seja lá o que for aquilo, tisnou minha camisa branca de uma maneira que nunca mais consegui limpá-la. Aqueles dutos cuspindo vapor estão por toda a parte!
Em muitas esquinas podemos sentir o cheiro da urina dos mendigos. Esses também podem ser encontrados em todas as áreas da cidade. A glamurosa ilha de Manhattan parece como o centro das grandes metrópoles brasileiras. O movimento é frenético, o trânsito caótico, há poluição sonora e visual para todos os lados, vários arranha-céus e muita sujeira. Em minha opinião, dadas as proporções, Av. Rio Branco no Rio ou a Paulista em Sampa não deixam nada a desejar ao centro financeiro mais famoso do mundo.

Um mendigo NewYorker em mais um típico dia de trabalho
Certa noite acabei exagerando na bebida e inventei de voltar a pé até o hotel. Eram cerca de 6 quadras de distância, mas levei 3 horas perdido na madrugada de Manhattan até identificar o letreiro do qual pouco lembrava. No dia seguinte, relatando a proeza para amigos em um bar, fiquei surpreso ao ouvir uma série de sermões. Começaram a me contar suscessivos casos de assaltos, facadas e todo o tipo de violência nas ruas da da Big Apple.
Não me abati. Peguei o guia local e fui conhecer referências alcóolicas na cidade que nunca dorme. Nunca dorme, o caramba! 2 horas da manhã e estavam me expulsando dos botecos. Existem leis que agora proíbem o funcionamento pronlogados dos bares.
O jeito era ir pro hotel jogar sinuca e beber aquela horrenda Budweiser. Conheci o bar onde Frank Sinatra ficou famoso ao pedir Jack Daniels chamando por “NY Finnest”. Lotado de homens, sem mulheres e com bebida caríssima! Aliás, fumar charuto está proibido na cidade inteira. É incrível como os exportadores do câncer pulmonar não fumam mais. Tive de procurar uma tabacaria especializada.
Também fui no famoso e centenário P.J Clark’s onde encontrei Rudolph Giuliani em pessoa. É baixinho, mas tem aquela assustadora presença de quem enfrentou o 11/09 sem medo. Sentei em uma mesa onde me serviram um bife enorme com 320g e muito Ketchup Heinz. Após terminar meu prato a garçonete se aproximou trazendo a conta e solicitando que encerrassemos, pois havia muita gente no bar esperando por uma mesa!
Para quem tem curiosidade em conhecer essa porcaria, a primeira filial fora dos E.U.A. será inaugurada em São Paulo. Mais tarde, a empresa que estava me recebendo pagou a janta em um dos melhores restaurantes americanos e talvez do mundo. O Chef era o Antony Bourdain, famoso pelos seus shows gastronômicos no Discovery Channel. O Les Halles tinha todo o jeitão de restaurante francês, mas com posteres por todos os lados como bom estabelecimento americano. Os pratos não eram exageradamente caros. Pedi um fettuccine ao molho de queijos suíços embora todo mundo me recomendava o tal bife da casa. Eu tenho uma queda por culinária italiana. Enfim, o prato de massa do melhor restaurante americano era bom, mas só isso. Não chega aos pés dos incríveis raviollis do Terraço Itália em São Paulo.
No imponente Madson Square Garden ao assistir um jogo dos NY Knicks, um dia após os Giants terem faturado o Superbowl desse ano, fui obrigado a rir. O locutor berrava “Bem vindo ao Garden. A maior arena do planeta”. Luzes piscavam nas paredes e displays pediam “BARULHO, AGORA”. Um mar de torcedores batia uns cotonetes gigantes uns nos outros até o barulho tomar conta do ginásio. Tive que rir, pois aquela gente não deve ter dimensão do que é assistir um FlaFlu no maracanã ou um Grenal no Olímpico. Tudo o que sei é que após um tempo eu não agüentava mais mulheres feias, comida estranha e festas chatas.
Aliás, nem todas são feias.
De volta ao meu bar favorito (Le Rendez Vouz na 301 E 80th) conheci uma morena interessante, bargirl da casa. Diferente de tudo o que via por lá, ela possuía a pele bronzeada, cabelo com luzes, corpo impecável e uns 1.60 de altura. Conversando com ela eu estava realmente a achando diferente. Em determinado momento aquela beldade mignon me pergunta de onde venho, pois meu sotaque era familiar. Quando disse Brasil, ela pulou em mim, feliz da vida. Era de Goiânia, mas vive em NY desde os 6 anos de idade. Quis falar em português que, hoje em dia está enferrujado. Mas frustou as minhas esperanças de achar uma americana realmente linda por lá.
Por outro lado, isso tudo é uma opinião pessoal minha. Há muitos brasileiros vivendo no exterior que jamais retornariam ao Brasil…
Voltando para casa com um colega, vimos algo estranho: uma loirinha linda, calça de lycra apertada, botas até os joelhos, usando uma jaquetinha que delineava o corpo. Meu colega me olhou e já entendi o recado. Saímos caminhando em direção a ela e comentei sobre o transtorno que o atraso do avião estava causando. Notei o sotaque estranho dela e perguntei de onde era. Ao ouvir Curitiba, nem fiquei mais tanto surpreso. Já havia desistido de encontrar gringas realmente bonitas por lá.
Contudo, o que foi realmente interessante na nossa conversa foi o relato de alguém que vive em NY há 4 anos e estava voltando pro Brasil apenas para visitar a mãe. Ela reclamava que sentia falta das amizades brasileiras, do bom humor tupiniquim, do jeito safado com que os homens daqui tratam as mulheres. Os relacionamentos são diferentes por lá. Tudo é mais lento, menos divertido, menos autêntico. Ela sentia falta de feijão, de farofa e, principalmente de caipirinha na praia.
De volta ao Brasil, todos nós aqui da empresa, passamos a adotar hábitos que nunca tivemos. Agora eu como muito feijão, farofa e camarão. Não tomo mais caipirinha com Vodka, pois aprendi o valor que um Velho Barreiro possui. Fico feliz quando vejo um negro caminhando na rua de mãos dadas com uma loira albina, gosto de ver colegas árabes e judeus trabalhando juntos, restaurantes italianos administrados por coreanos, japoneses rappers e africanos sushi-men. A salada de fruta cultural em São Paulo nunca me encantou tanto.
Lembro que no primeiro dia após minha volta, ignorei meu horário biológico completamente desregulado. Cheguei às 10, tomei um café expresso brasileiríssimo de Minas, almocei em uma churrascaria e as 15 horas fui a um parque.
Um corredor sem camisa passou por uma morena linda, com calça corsário e barriga de fora. Ela corria em sentido contrário e ainda tinha um piercing que batia de um lado para o outro fazendo um pêndulo hipnotizante na barriga durinha. Ele tentou encará-la bem dentro dos olhos, mas ela manteve a postura de indiferente. Continuou correndo elegantemente e ao cruzar por ele o observou muito discretamente com o cantinho de olho. Ele virou para trás enquanto corria apreciando a bunda que ia embora. Ao perceber, ela abriu um leve e comportado sorriso e continuou sua corrida fingindo estar indiferente.

“Ó, como senti falta de nosso verde, nosso azul, nosso amarelo!” crédito
No final da tarde eu já estava em um bar observando a dinâmica do relacionamento entre homens e mulheres brasileiras. Quando você fica de expectador acaba se divertindo bastante. As mulheres deixam sinais sutis, mas evidentes, quando querem ser abordadas. Nós não nos fazemos de rogados. Na pior das hipóteses, faremos uma nova amizade com uma mulher linda que certamente terá muitas outras amigas mais bonitas ainda.
O Brasil têm muitos problemas graves sim. Problemas esses que temos de combater um a um. Entretanto, as regiões metropolitanas mais desenvolvidas do país já possuem todas as características de países de primeiro mundo. Existem periferias, fome e pobreza na Europa e América do Norte também. Considerando cidades como São Paulo, Rio, BH, Curitiba, Floripa, POA, dentre outros pólos de riqueza no país, temos exatamente os mesmos problemas dos países ditos civilizados.
Além do mais, apesar de todas as mazelas e a infindável batalha que travamos diariamente para melhorar esse país de natureza excepcional, ainda somos muito mais felizes do que lá fora. Aqui, no final do expediente os problemas ficam de lado por alguns instantes quando o brasileiro comum abre uma Skol e curte seu sambinha no boteco. Não sou um fã de pagode, mas sei admirar a forma com que as pessoas humildes simplificam as dificuldades do dia-a-dia cantando e dançando. São pessoas que amanhã estarão de pé cedo, pois se perderem tempo reclamando ao invés de trabalharem, deixarão faltar o sustento da família.
No Brasili, não nos suicidamos tanto, nos ajudamos mais, nos divertimos mais e fazemos mais amigos. O tráfico pode matar com suas balas perdidas, mas aqui os lunáticos não metralham seus colegas nas escolas nem enfiam uma espada em seus estômagos ao serem demitidos.
A Defesa Civil informou que as doações particulares para ajudar com as enchentes catarinenses passaram de R$2.000.000,00. Já li por toda a parte notícias de depósitos dos corpos de bombeiros lotados com doações de mantimentos. Caminhões partem para a região afetada de todas as partes do país. As Forças Armadas não medem esforços para ajudar. A Aeronáutica constrói postos de comunicação e controle aéreo, o exército improvisa pontes e hospitais, a marinha já contribuiu em grande parte dos resgates.
Há relatos por toda a parte de militares sem dormir resgatando pessoas há mais de 48 horas. Me emociono ao ler nos caminhões do exército a frase que ilustra o princípio que os guia: “Braço forte, mão amiga”. E você leitor, por favor não ouse dizer que aqueles bravos combatentes estão apenas cumprindo ordens. Possuo grandes amigos e familiares militares. O contingente nas missões de paz com participação brasileira é em grande parte voluntário! Muitos deles, segurando um Fuzil 7.62mm, não evitam as lágrimas ao ver a situação em que crianças vivem no Haiti, por exemplo.

Devemos sim criticar os problemas de nossa pátria, mas com o objetivo de agirmos e tomarmos a iniciativa para mudar o que está ruim. De nada adianta reclamar de tudo e todos, sentado no sofá ou atrás de um teclado de computador.
Esse não é o país dos que saqueiam os supermercados em SC, que matam no RJ, que roubam em Brasília. Esse país é nosso, dos que fazem a diferença e trabalham dia após dias para construir uma nação melhor. É por causa dessas pessoas que bato no peito com orgulho de ser brasileiro e nego qualquer oferta de deixar esse país que tantas coisas boas já me proporcionou.
Toda cesta tem sua maçã podre, mas no fim, não vamos permitir que as boas sejam contaminadas

IG