Author: Antunes
•Quinta-feira, Novembro 26, 2009
A revista ISTO É publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi. O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional. Em 'Heróis de Verdade', o escritor combate a supervalorização das aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima. ISTO É - Quem são os heróis de verdade?Roberto Shinyashiki -- Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena, porque não conseguiu ter o carro, nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa, possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.São pessoas que sabem pedir desculpas e admitiram que erraram.ISTO É -O Sr. citaria exemplos?Shinyashiki -- Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito '100% Jardim Irene'.É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como o Japão, a Suécia e a Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher, que embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego, que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro. ISTO É -- Qual o resultado disso?Shinyashiki -- Paranóia e depressão cada vez mais precoce. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro, é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos.. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.ISTO É - Por quê?Shinyashiki -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.ISTO É - Há um script estabelecido?Shinyashiki -- Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa 'O Aprendiz'? - Qual é seu defeito?Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:- Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar. É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: 'Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir'. Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor! ISTO É - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas? Shinyashiki -Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função, para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso, para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.ISTO É - Está sobrando auto-estima?Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser, nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil, que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.ISTO É -Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência? Shinyashiki -Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: 'Quando você quiser entender a essência do serhumano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham'. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.A gente tem de parar de procurar super-heróis, porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado. ISTO É - O conceito muda quando a expectativa não se comprova? Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula, em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas. ISTO É - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos? Shinyashiki -Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui.Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que, ou eu a amo do jeito que ela é, ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro, que não deu certo. Um amigão me perguntou: 'Quem decidiu publicar esse livro?' Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.ISTO É - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência? Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas: A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.ISTO É - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus? Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade... A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se eles não tivessem significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura:Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe.Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz, enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo à praia ou ao cinema.. Quando era recém-formado em São Paulo , trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz:'Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz'. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.
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Author: Antunes
•Quinta-feira, Setembro 03, 2009
Você deseja a aprovação de todos aqueles com quem está em contato. Quer o reconhecimento do seu real valor. Quer sentir-se importante no seu pequeno mundo. Não quer ouvir lisonjas insinceras e baratas, mas deseja uma sincera apreciação. Quer que os seus amigos e associados sejam, como disse Charles Schwab, "sinceros nas suas apreciações e pródigos nos seus elogios". Todos nós queremos isto. Obedeçamos, portanto, à Regra de Ouro e demos aos outros o que queremos que os outros nos dêem. Como? Quando? Onde? A resposta é: todas as vezes, cm toda parte. A vida de muitas pessoas provavelmente mudaria se alguém as fizesse sentir-se importantes. Ronald J. Rowland, um dos instrutores do nosso curso na Califórnia, também é professor de artes manuais. Ele nos escreveu sobre um estudante de nome Chris, no início de suas aulas de artesanato: "Chris era um menino muito quieto, tímido e inseguro, o tipo do aluno que em geral não recebe a atenção que merece. Também dou aulas numa classe avançada que cresceu muito e tornou-se uma espécie de símbolo de prestígio e um privilégio para o aluno que conquistasse o direito de ingressar nela. "Numa certa quarta-feira, Chris trabalhava com dedicação na sua prancheta. Com efeito, pressenti que dentro dele ardia um fogo oculto. Perguntei-lhe se gostaria de entrar na classe avançada. Como gostaria de poder expressar a fisionomia de Chris! Quantas emoções naquele garoto de 14 anos de idade, que procurava esconder as lágrimas que afluíam aos seus olhos. "Eu, Sr. Rowland? E o senhor acha que sou bom para isso?" "Sim, Chris, acho que é.""Precisei me retirar nesse momento, porque eu é que estava prestes a chorar. Quando Chris saiu da classe naquele dia, aparentemente um pouco mais alto do que o habitual, olhou para mim com seus olhinhos azuis e vivos e disse, com uma voz segura: `Obrigado, Sr. Rowland.' "Chris ensinou-me uma lição que jamais esquecerei - nosso profundo desejo de sentirmo-nos importantes. Paraajudar-me a nunca esquecer desse presente, fiz um pequenocartaz onde escrevi: "VOCÊ É IMPORTANTE". Este cartaz ficou pendurado na entrada da sala de aula para que todos o vissem e para que eu me lembrasse de que cada aluno que tenho diante de mim é igualmente importante." A verdade crua é que quase todo homem que você encontra se julga superior a você em algum ponto; e um caminho seguro para tocar-lhe o coração é faze-lo compreender, de uma maneira sutil, que você reconhece a importância dele no seu pequeno mundo, e o faz sinceramente. Lembre-se do que disse Emerson: "Cada homem que encontro é superior a mim em alguma coisa; e nisto posso aprender dele" Vou contar-lhes um caso que têm aplicado, com resultados notáveis, tais princípios. Tomemos em primeiro lugar o caso de um promotor de Connecticut que prefere seja o seu nome omitido devido aos parentes. Nós o chamaremos de Sr. R. Pouco depois de entrar para o curso, dirigiu-se de automóvel para Long Island com a esposa, em visita a alguns parentes dela. Esta o deixou conversando com uma sua velha tia e foi sozinha visitar alguns parentes mais jovens. Como devia fazer uma exposição profissional de como aplicou os princípios da apreciação, imaginou que devia começar pela velha tia. Assim, olhou em volta da casa para ver o que podia admirar com sinceridade. "Esta casa foi ponstruída em 1890, não?", perguntou. "Sim", respondeu a tia, "foi esse precisamente o ano em que foi construída." "Ela me recorda a casa onde nasci", acrescentou ele. "É bonita. Bem construída. Espaçosa. A senhora sabe que hoje não se constroem mais casas assim?" "Você tem razão", concordou a velha senhora. "Os jovens dos nossos dias não fazem questão de casas bonitas. Todos eles querem apenas pequenos apartamentos e uma geladeira elétrica, indo depois vagabundear nos seus automóveis." "Esta é uma casa de sonhos", continuou num tom vibrante, evocando suas mais caras recordações. "Esta casa foi construída com amor. Meu marido e eu sonhamos com ela por quatro anos, antes de construí-Ia. Não tivemos arquiteto. Nós mesmos a planejamos." Mostrou-lhe então toda a casa e ele expressou sua sincera admiração pelos lindos tesouros que ela adquirira durante suas viagens e que sempre amara: pesados xales, um velho serviço de chá inglês, vasos (Wedgwood) da China, camas e cadeiras da França, quadros italianos, e cortinados de seda que pertenceram a um castelo francês. "Depois de mostrar-me inteiramente a casa", disse o Sr. R., "levou-me para ver a garagem. Lá, sobre caixões, estava um automóvel Packard -- quase novo. `Meu marido comprou aquele carro pouco antes de morrer', disse suavemente. `Depois da sua morte, nunca andei nele... Você aprecia coisas belas, e por isso lhe darei esse carro.' "Como, minha tia! A senhora me confunde. Aprecio a sua generosidade naturalmente, mas não posso aceitá-lo. Nem mesmo sou seu parente direto. Tenho um carr9 novo, e a senhora tem muitos parentes que gostariam de possuir um Packard. "'Parentes!' exclamou. `Sim, tenho parentes que estão esperando a minha morte para poder usar o meu carro. Mas eles não conseguirão tal coisa.' "Se a senhora não quer dar o carro a eles poderá facilmente vendê-lo a um negociante de carros usados, sugeri. "'Vendê-lo', exclamou. `Pensa .que eu poderia vender este carro? Que eu suportaria ver estranhos indo para cima e para baixo pelas ruas nesse carro -- no carro que meu marido comprou para mim? Nem em sonhos penso em vendê-lo. Vou dar-lhe o automóvel. Você sabe apreciar coisas belas.' " Ele relutou em aceitar o carro, mas não podia faze-lo sem ferir os sentimentos da velha tia. Esta velha senhora, isolada num casarão, com seus pesados xales, suas antigüidades francesas e suas memórias, estava morrendo à míngua de um pequeno reconhecimento. Ela fora bonita e jovem. Construíra uma casa com amor e colecionara objetos de toda a Europa para torná-la mais linda. Agora, no isolamento de sua velhice, ansiava por conforto humano, uma pequena apreciação verdadeira - e ninguém lhe dava nada disto. Quando encontrou o que desejava, como um oásis em pleno deserto, sua gratidão não podia expressar-se de outra maneira que não fosse oferecendo de presente o automóvel. Tudo isso apenas interessado-se pelo que era iportante para a outra pessoa... Faça isso e mudará o dia da pessoa, faça isso e mudará o seu dia...
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Author: Antunes
•Quarta-feira, Setembro 02, 2009
Seja um bom ouvinte, incentive os outros a falar sobre eles mesmos. Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas a que outro homem sinta prazer em responder. Faça-o a falar sobre si mesmo e sobre seus assuntos prediletos. Lembre-se de que o homem com o qual estiver falando está uma centena de vezes mais interessado em si mesmo, nos seus problemas e vontades, do que em você e seus problemas. Sua dor de dente significa mais para ele que a fome na China que mata um milhão de pessoas. Um furúnculo no seu pescoço interessa-lhe mais que quarenta tremores de terra na Africa. Pense em tudo isto na próxima vez que iniciar uma conversação Conheço, e você também, comerciantes que desejam alugar espaços caros, comprar seus artigos com economia, arrumar suas vitrinas com arte, gastar centenas de dólares em propaganda, e contratam empregados que não possuem o senso necessário para ser bons ouvintes, empregados que interrompem constantemente os fregueses, muita vez contradizendo-os, irritando-os, o que apenas consegue levá-los para longe da loja. Certa manhã, anos atrás, um freguês mal satisfeito entrou no escritório de Julian P. Detmer, fundador da Detmer Woolen Company, que mais tarde se tornou a maior distribuidora de lãs, no comércio de alfaiatarias. "Este homem nos devia uma pequena importância", explicou-me o senhor Detmer. "0 freguês negava isto, mas tínhamos a certeza de que ele estava enganado. Assim, nosso departamento de crédito insistiu pelo pagamento. Depois de receber várias cartas do nosso departamento, arrumou sua bagagem, fez uma viagem a Chicago e apressou-se em vir ao meu escritório, não somente para informar-me de que não viera pagar a conta, como também que nunca mais compraria mercadorias na Detmer Woolen Company. "Ouvi pacientemente tudo quanto tinha a dizer. Estive tentado a interrompê-lo, mas compreendi que seria ma política. Assim, deixei que falasse tudo. Quando finalmente começou a esfriar e se tornou receptivo, eu disse calmamente: "Quero agradecer-lhe por ter vindo a Chicago falar-nos sobre isto. Fez-me um grande favor, pois se o nosso departamento de crédito o aborreceu pode também aborrecer outros bons fregueses, e isso será muito mau. Acredite-me, estou muito mais desejoso de ouvir isto do que o senhor de mo dizer". "Era esta a última coisa no mundo que ele esperava ouvir de mim. Penso que ficou desapontado pela asneira de ter vindo a Chicago para dizer-me uma ou duas coisas, e aqui, ao invés de atracar-me com ele, estava agradecendo-lhe. Assegurei-lhe que nós riscaríamos o débito dos livros e pedi que se esquecesse do mesmo pois ele era um homem muito cuidadoso, com uma única conta a olhar enquanto nossos empregados tinham que olhar milhares de contas. Por essa razão havia menos possibilidade de ele estar errado do que nós. "Disse-lhe que compreendia perfeitamente como se sentiu e que, se eu estivesse no seu lugar, teria certamente sentido o mesmo. Desde que se decidira a não comprar mais de nós, recomendei-lhe outras casas de lãs. "Antes, quando ele vinha a Chicago, costumávamos almoçar juntos, por isso convidei-o para almoçar comigo naquele mesmo dia. Aceitou com certa relutância, mas quando voltamos ao escritório nos fez um pedido de mercadorias como nunca fizera até então. Voltou para casa com disposições brandas e, querendo ser tão justo conosco como acabávamos de ser com ele, foi examinar suas contas e, encontrando uma que não havia sido paga, enviou-nos um cheque com as suas desculpas. "Mais tarde, quando a esposa o presenteou com um garoto deu ao filho o nome de Detmer e continuou freguês e amigo da nossa casa até a sua morte, vinte e dois anos depois." Durante as horas negras da Guerra Civil, Lincoln escreveu a um velho amigo em Springfield, Illinois, pedindo-lhe para vir a Washington. Lincoln disse que tinha alguns problemas que queria discutir com ele. 0 velho vizinho veio â Casa Branca e Lincoln falou-lhe durante horas sobre a conveniência de lançar uma proclamação libertando os escravos. Lincoln passou por todos os argumentos "pró" e "contra" tal movimento, leu cartas e artigos de jornais, alguns atacando-o por não ter libertado os escravos e outros porque receavam que ele abolisse a escravatura. Depois de falar durante horas, Lincoln apertou a mão do seu velho vizinho, disse-lhe boa-noite e mandou-o para Illinois, sem mesmo perguntar-lhe a sua opinião. Lincoln falou todo o tempo. Isto parece que esclareceu seu pensamento. `Ele pareceu sentir-se mais tranqüilo depois de falar", disse o velho amigo. Lincoln não queria conselho. Queria apenas um ouvinte amigo e simpatizante com quem pudesse descarregar-se. Eis o que todos nós queremos quando estamos preocupados. É isto que, freqüentemente, todos os fregueses irritados querem, bem como o empregado mal satisfeito ou amigo magoado. Assim, se quiser ser um bom conversador, seja um ouvinte atento. Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas a que outro homem sinta prazer em responder. Concite-o a falar sobre si mesmo e sobre seus assuntos prediletos. Seja um bom ouvinte, incentive os outros a falar sobre eles mesmos.
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•Terça-feira, Agosto 25, 2009
O texto é adaptação do texto original do Paulo V. Kretly, visite: blog: http://paulokretly.blogspot.com/ Pessoas bem-sucedidas são aquelas que sabem utilizar seu tempo para perseguir, da forma mais eficiente possível, os objetivos que traçaram para si. E ao fazer isso elas estão agindo de uma forma organizada, planejada. Muitos acham que planejar é uma atividade tediosa; que reprime a criatividade. Essa é uma noção equivocada do que é o planejamento e de sua importância. Leonardo da Vinci, um dos maiores gênios da humanidade e dotado de uma indiscutível criatividade, planejava cuidadosamente suas obras, nos mínimos detalhes. Sua preparação era tão esmerada que ele chegava a dissecar cadáveres – o que era proibido na época – para estudar anatomia. Ao pintar um retrato, ele contratava músicos e artistas circenses para distrair a pessoa que estava posando, a fim de evitar que ela adquirisse uma expressão cansada ou entediada. Ou seja, o sorriso da Monalisa não é fruto do acaso, mas de uma elaborada preparação e planejamento. E se até um gênio como Da Vinci entendia a importância do planejamento, que desculpa nos resta para não planejarmos? É claro que planejamento exige disciplina, mas, conforme dizia Renato Russo: “disciplina é liberdade”. Quem não se disciplina o suficiente para elaborar e seguir seus planejamentos acaba tornando-se refém dos contratempos, escravo do relógio e da frustração de não atingir suas metas. Culpar a falta de tempo pela impossibilidade de cumprir compromissos também é uma tendência desorganizadora. Uma hora tem sessenta minutos, e não há como esticá-la, por mais que você queira. Em vez disso, é muito mais útil reavaliar a forma como você está planejando suas atividades, de maneira que esses sessenta minutos sejam aproveitados de forma mais eficaz. O mesmo vale para seu tempo livre e ao destinado à família. Não planejá-lo é a melhor forma de desperdiçá-lo. Por fim, é preciso lembrar que todo o planejamento que fazemos – desde o planejamento das atividades diárias até às metas de longo prazo – são parte de algo maior, que é o planejamento da própria vida. Que tipo de vida queremos ter em nossa idade madura? Alguns jovens – e até alguns não tão jovens – acham que isso é algo distante, que pode ser deixado para depois. Assim vão negligenciando certos aspectos do planejamento que podem parecer tediosos ou secundários. E dizem: “Por que vou me preocupar com minha aposentadoria se ainda sou jovem? Por que vou pensar em seguros e planos de saúde se nunca fico doente?” Porém, quem só faz o que gosta durante parte da vida, acaba fazendo o que não gosta durante todo o restante de sua vida. Colhemos o que plantamos, e não há como mudar essa simples verdade. Infelizmente, muitos só percebem isso quando não podem mais contar com a saúde e a juventude.
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•Segunda-feira, Junho 29, 2009
Abraham Lincoln foi um dos presidentes mais populares da história dos Estados Unidos. Até hoje seus discursos são decorados nas escolas pelas crianças americanas. Mas poucos sabem como ele lidou com o fracasso durante toda a sua vida. Em 1832, ele entrou na guerra dos Black Hawk´s como capitão, mas terminou como soldado. No mesmo ano se candidatou e foi derrotado para o Congresso de Illinois, seu estado natal e ainda, naquele mesmo ano, comprou uma loja com um sócio, que poucos meses depois veio a falir. Abraham Lincoln foi eleito ao Congresso Nacional em 1847, mas na época de sua reeleição, em 1849, mesmo querendo, não se candidatou. Era tão impopular que já sabia que perderia. Quando ele tentou reingressar na política em 1854, como candidato ao Senado americano, foi derrotado outra vez. Em 1858 tentou novamente ser eleito para o Senado e, mais uma vez, foi derrotado. Em 1860, candidatou-se a presidente dos Estados Unidos e foi eleito com facilidade no primeiro turno. Até hoje é lembrado em todo o mundo como um grande defensor da democracia. É reconhecido também como um dos maiores líderes da história do mundo, por causa da sua persistência diante das sucessivas derrotas e por sua habilidade em transformar a derrota em vitória. ... A maioria das pessoas, quando enfrentam revezes na vida, simplesmente desistem. Parece até que Lincoln sabia o segredo de usar os fracassos para chegar ao sucesso. Ele sabia que os fracassos iam lhe ensinando e ele ia se aperfeiçoando. Cada tropeço ou fracasso continham lições que o ajudavam a chegar ao sucesso. O fracasso é uma das partes mais importantes do sucesso. Existe, aí, um paradoxo. Jamais chegará ao sucesso se nunca fizer uma tentativa e, se nestas tentativas fracassar, aí está implícito que tentou alguma coisa. É justamente através das tentativas e fracassos que aprenderá como alcançar a vitória. Se você quiser fazer algo bem feito, tem que estar disposto a aprender com seus erros, aperfeiçoando-se a cada tentativa. Adaptado do livro Insight II, de Daniel C. Luz.
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•Segunda-feira, Junho 22, 2009
Nos textos deixados aqui no blog, tenho como principal objetivo, fazer com que quem leia, desperte um forte desejo de modificar seus hábitos, tome uma sacudida do seu próprio ego e de um passo em direção a realização.
Não interessa qual a sua realização ou a minha, cada um tem um sonho e a realização pessoal de chegar perto dele é a mola propulsora do nosso dia a dia, portanto comece a levar a serio o que você esta fazendo para chegar perto do seu sonho.
Também pare de calcular sucesso por aquisição de “Bens Materiais”, pois isso já foi símbolo de status, hoje em dia qualquer Zé entra em uma loja e adquiri um carro zero, qualquer um compra uma bela casa, um celular que faz tudo, inclusive ligações telefônicas e leva junto tudo isso um carnê com 60 meses de dívidas que você não verá como o cara vai pagar... Tenha em mente que o sucesso poderá ser baseado no tempo livre que você tem com seu filho, com sua esposa, mesmo que seja apenas 1 hora ou ½ hora do seu tempo, ele pode ser compartilhado sem culpa, com a importância que seus colegas de trabalho dão as suas opiniões e contribuições, com a lealdade que seus liderados ou pares vê em você e a respeitam, sucesso pode ser visto no simples prazer de sair para trabalhar, na realização de fazer o seu trabalho bem feito e até poder olhar e se orgulhar da atividade realizada.
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“Os únicos limites do homem são: o tamanho das suas idéias e o grau da sua dedicação” (F. Veiga) Tente sempre estar acompanhando seu humor, seu stress, seu comportamento frente as dificuldades da vida, pois esses “termômetros” podem te ajudar a corrigir posturas, comportamentos e mesmo pensamentos, em encontrei na internet um teste muito simples e que ajuda a você ter uma idéia de como a coisa anda, lógico que existem testes mais complexo e que também não é uma simples folha de papel dizendo que você é o melhor, ou a mesma folha dizendo que você não esta com nada que dirige sua vida, mas esses testes ajudam a dar uma olhada com “outros” olhos para o momento em que você esta vivendo e assim poder enxergar “brechas” e corrigi-las. Eis aqui um site que normalmente tento fazer uma avaliação semestral...http://www.bne.com.br/cores/ ...
Aprenda que as vezes caímos para aprender a levantar... Abs. Antunes
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•Terça-feira, Junho 16, 2009
O texto abaixo, foi extraído e adaptado do livro “O Monge e o executivo”, apesar de varias outras passagens terem a mesma analise sobre essa passagem bíblica, achei esse um bom texto a ser postado. ________________________________________________________________
... Nosso tópico hoje é amor. Sei que talvez seja um pouco desconfortável para alguns de vocês, mas para compreender liderança, autoridade, serviço e sacrifício é importante conhecer esta palavra importante "O que o amor tem a ver com isso?" . Comecei a entender o significado real do amor há muitos anos, ainda na faculdade. Eu estudava filosofia naquela época, e alguns de vocês podem se surpreender, mas eu era um verdadeiro ateu. - Porque, eu tinha estudado todas as religiões e nenhuma me parecia plausível. O cristianismo, por exemplo. Eu realmente tentava entender o que Jesus queria dizer, mas ele continuava voltando à palavra amor. Disse para "amar seu próximo", o que eu imaginava ser possível contanto que tivesse bons vizinhos. Mas, para piorar as coisas, Jesus insistia em que amássemos "nossos inimigos". Para mim aquilo era pior do que absurdo. Amar Adolf Hitler? Amar a Gestapo? Amar um assassino? Como ele podia ordenar que as pessoas fabricassem uma emoção como o amor? Principalmente com relação a pessoas nada amáveis? — Então surgiu uma crise em meus paradigmas a respeito da vida e do amor. Uma noite, vários colegas e eu nos reunimos para tomar umas cervejas na taberna local. Um dos professores de línguas veio juntar-se a nós e logo a conversa mudou para as grandes religiões do mundo, até chegar ao cristianismo. Eu disse algo parecido com: "Sim, amar nossos inimigos. Que piada! Então tenho que amar um estuprador!" O professor de línguas me interrompeu dizendo que eu estava interpretando mal as palavras de Jesus. Ele explicou que, ao pensar em amor, eu estava confundindo sentimento com ação. Você sabe, a partir do momento em que tenho sentimentos positivos a respeito de alguma coisa ou alguém, posso dizer que os amo. Geralmente associamos amor com bons sentimentos. - De fato, ontem à noite fui à biblioteca e procurei amor no dicionário. Havia três definições e eu as escrevi todas: número um, forte afeição; número dois, ligação calorosa; número três, atração baseada em sentimentos sexuais. — Você vê ? O amor é definido um tanto mesquinhamente, e a maioria das definições envolve sentimentos positivos. O professor de línguas me explicou que muito do Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, e os gregos usavam várias palavras diferentes para descrever o multifacetado fenômeno do amor. Se bem me lembro, uma dessas palavras era eros, da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente. Outra palavra grega para amor, storgé, é afeição, especialmente com a família e entre os seus membros. Nem eros nem storgé aparecem nas escrituras do Novo Testamento. Outra palavra grega para amor era philos, ou fraternidade, amor recíproco. Uma espécie de amor condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você" Finalmente, os gregos usavam o substantivo ágape e o verbo correspondente agapaó para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. E o amor da escolha deliberada. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra ágape, um amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento do amor. — Pensando nisso, parece bobagem tentar mandar alguém ter um sentimento ou emoção por alguém. Neste sentido, aparentemente Jesus Cristo não queria dizer que nós devemos fazer de conta que as pessoas ruins não são ruins, ou nos sentir bem a respeito de pessoas que agem indignamente. O que ele queria dizer era que devemos nos comportar bem em relação a elas. Eu nunca tinha pensado nisso dessa maneira. — Ouvi sujeitos me falarem muitas e muitas vezes o quanto amam suas esposas. Eles falam isso sentados nos bares, caçando mulheres. Ou pais que se derretem de amor pêlos filhos mas não conseguem separar quinze minutos do dia para ficar com eles. E alguns dos companheiros Exército, que fazem grandes declarações de amor às garotas quando o que querem é ir para a cama com elas. Portanto, dizer e fazer não são a mesma coisa, não é? - Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas. Os sentimentos variam, dependendo do que aconteceu na véspera! Meu vizinho talvez seja difícil e eu posso não gostar muito dele, mas posso me comportar amorosamente. Posso ser paciente com ele, honesto e respeitoso, embora ele opte por comportar-se mal.
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•Quarta-feira, Maio 27, 2009
Só o texto ja vale o post
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Author: Antunes
•Sexta-feira, Maio 15, 2009
Esse post, foi catastrofico, pois faltou o texto... Somente agora eu consegui um tempo para arrumar, eita vida de contador e fechamentos, bom vamos la! Por Max Gehringer Vi um anúncio de emprego. A vaga era de gestor de atendimento interno, nome que agora se dá à seção de serviços gerais. E a empresa contratante exigia que os eventuais interessados possuíssem - sem contar a formação superior - liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e, não bastasse tudo isso, ainda fossem hands on. Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possuía mesmo essa variada gama de habilidades, o salário era um assombro: 800 reais. Ou seja, um pitico. Não que esse fosse algum exemplo absolutamente fora da realidade. Pelo contrário, ele é quase o paradigma dos anúncios de emprego atuais. A abundância de candidatos está permitindo que as empresas levantem, cada vez mais, a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da superqualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico... ____ Vamos supor que, após uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, gerente da contabilidade. - Fabiana, eu quero três cópias deste relatório. - In a hurry! - Saúde. - Não, isso quer dizer "bem rapidinho". É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português? - E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias? - O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática. - Não, não. Cópias normais mesmo. - Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das cópias que tiramos. - Fabiana, desse jeito não vai dar! - E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar. - Como assim? - É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. - E considero isso um desperdício do meu potencial energético. - Olha, neste momento, eu só preciso das três có... - Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro... - Futuro? Que futuro? - É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada. - Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada! - Sei. Mas o senhor é hands on? - Hã? - Hands on. Mão na massa. - Claro que sou! - Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada. _______________________ Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções. Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas. E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas. Alguém ponderará - com justa razão - que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente superqualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado que chegasse de repente confundiria nossa salinha do café com o auditório da Fundação Alfred Nobel. Até que um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas. E, no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha noções de informática e possuía energia e criatividade. Sem mencionar que estava fazendo pós-graduação. Só que não sabia nem abrir o capô. Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava "nóis vai" e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida. Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as empresas modernas torcem o nariz, uma espécie de pitico contemporâneo: O que é capaz de resolver, mas não de impressionar.
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Author: Antunes
•Quarta-feira, Maio 06, 2009
"A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos" - Pablo Neruda O empresário certo é o que investe em seus funcionários nos momentos incertos; o funcionário certo é o que aposta na empresa nos momentos incertos; os colegas certos são os que permanecem lutando, junto com você, nos momentos incertos; o amigo que é amigo mesmo, continua sendo tbém nos momentos incertos; o amor certo é o que está ao seu lado, chova ou faça sol, nos momentos incertos;Nos momentos de sua vida nos quais tudo está indo bem e dando certo, as pessoas erradas se aproximam.Você não as notará, porque está tudo certo. Verá o melhor delas, porque está tudo certo. Gostará mais delas, porque está tudo certo. Será mais fácil de iludir você, sua empresa, departamento ou até toda a sua família, amigos e colegas, porque está tudo certo.Como um cruzeiro em um iate, todos nós sofremos uma certa dose de "ilusão das férias de verão" quando conhecemos alguém, seja na vida profissional ou pessoal, com a qual só experimentamos momentos de calmaria, de festas, de alegria. Momentos muito bons, mas nos quais é impossível separar o "joio do trigo". Momentos nos quais só vemos o melhor ângulo da personalidade de uma namorada (ou namorado), um funcionário, um sócio, um parceiro, um amigo. Temos, portanto, uma visão perigosamente bidimensional.Muitos casamentos acabam, quando marido e mulher descobrem que a personalidade da outra pessoa é muito mais complexa do que podia ser visto durante a fase de namoro e noivado -- especialmente quando aquela fase não ofereceu "crises" para testar o casal. Os dois só viram o "trigo", antes do casamento, descobrindo o "joio" depois. Sim, há casos em que o joio é visto bem antes, mas alguns de nós fazem questão de fingir que não estão vendo nada, ou que depois essa pessoa mudará... Quantas pessoas que você considerava "grandes amigos", não se afastaram imediatamente, assim que você perdeu aquele emprego? Sim, é impossível avaliar amigos, colegas, funcionários e amores sem o teste das crises.Para conhecer realmente essa pessoa, você tem que observa-la quando o iate entrar em uma tempestade gigantesca no meio do oceano, quando o navio estiver sob risco de afundar, e um grupo de piratas começar a destruir tudo e invadir a nau. Neste momento, você verá, de modo cristalino, quem é que corre para os botes salva-vidas esquecendo-se completamente de você, da empresa ou do projeto, e quem está com você até o fim -- seja este fim qual for.Por isso, antes de julgar alguém pelo belo sorriso em um dia de sol, veja se o sorriso ainda está lá, mesmo que haja lágrimas em um dia de chuva. Como explicou Pablo Neruda: A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.
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